Parte de minha produção é constituída por obras sobre papel. É um “suporte” que me interessa devido a sua versatilidade permitindo trabalhar SOBRE ele ou COM ele.  Sua característica principal é o fato de ser constituído por trama de fibras que forma a sua pele/corpo. E é sobre essa pele que detenho minha atenção ao transferir caracteres destacáveis como Letraset, por exemplo. Estes caracteres são constituídos por uma delgada camada que se adere ao papel e agrega-se a sua superfície. Me atrai esse encontro e aderência como se fosse uma tatuagem. 

                 A incisão junto as bordas altera o contorno do recorte padrão do papel (A1, A2… A4, etc). Mudar o percurso da linha de contorno cria novas formas, agora pertencentes a própria corporeidade do papel que dialoga/conflita com os caracteres ou linhas traçadas em sua superfície. 

                 Para mim o papel é uma superfície ativa dentro da qual transita minha atençāo. Dispor qualquer elemento sobre ela o coloca imediatamente em relaçāo aos limites da folha branca. 

                 Percebo nesses trabalhos, uma conversa estreita com parte da produçāo das artistas Mira Schendel e Jo Baer, particularmente pelo modo sutil, mas efetivo, como ativam o “vazio” da folha de papel e também com a produçāo de Joan Brossa, particularmente onde a palavra habita a obra.

 

                 Part of my production consists of works on paper. It is a “support” that interests me because of its versatility, allowing me to work ON it or WITH it. Its main feature is the fact that it is made up of a weft of fibers that form its skin/body. And it is on this skin that I focus my attention when transferring detachable characters like Letraset, for example. These characters are made up of a thin layer that adheres to the paper and attaches itself to its surface. This encounter and grip attracts me as if it were a tattoo.

                 The incision along the edges changes the contour of the standard paper cutout (A1, A2… A4, etc). Changing the path of the contour line creates new forms, now belonging to the very corporeality of the paper that dialogues/conflicts with the characters or lines traced on its surface.

                 For me, paper is an active surface within which my attention moves. Placing any element on it immediately places it in relation to the limits of the white sheet.

                 I perceive in these works, a close conversation with part of the production of the artists Mira Schendel and Jo Baer, ​​particularly for the subtle but effective way in which they activate the “emptiness” of the sheet of paper and also with the production of Joan Brossa, particularly where the word inhabits the work.