Boa parte de minha produção é constituída por obras sobre papel. É um “suporte” que me interessa devido a sua versatilidade permitindo trabalhar SOBRE ele ou COM ele.  Sua característica principal é o fato de ser constituído por trama de fibras que forma a sua pele/corpo. 

E é sobre essa pele que detenho minha atenção ao transferir caracteres destacáveis como Letraset, por exemplo. Estes caracteres são constituídos por uma delgada camada que se adere ao papel e agrega-se a sua superfície. Me atrai esse encontro e aderência como se fosse uma tatuagem. É um processo de encontro, aderência e absorção como ocorre no processo de tatuar integrando-se as nossas curvas corporais. 

O papel também possibilita casar estes caracteres aos recortes no próprio papel. Com isso a superfície do papel se evidencia enquanto um corpo. A incisão junto as bordas altera o contorno do recorte padrão (A1, A2… A4, etc). Mudar o contorno ou o percurso da linha de contorno cria novas formas agora pertencentes a própria corporeidade do papel que dialoga/conflita com os caracteres ou linhas traçadas a lápis ou com outros materiais e formas aderidos a sua superfície. 

 

 

A large part of my production consists of works on paper. It's a “support” that interests me because of its versatility, allowing you to work ON IT or WITH it. Its main characteristic is the fact that it is made up of a web of fibers that form your skin/body.

And it's on this skin that I keep my attention when transferring detachable characters like Letraset, for example. These characters are made up of a thin layer that adheres to the paper and adds to its surface. This meeting and grip attracts me as if it were a tattoo. It is a process of encounter, adherence and absorption, as in the tattooing process, integrating our body curves.

Paper also makes it possible to match these characters to the cutouts on the paper itself. With this, the surface of the paper becomes evident as a body. The incision along the edges alters the outline of the standard cutout (A1, A2…A4, etc). Changing the contour or the path of the contour line creates new shapes that now belong to the very corporeality of the paper that dialogues/conflicts with the characters or lines drawn in pencil or with other materials and shapes adhered to its surface.